As Fronteiras das Terras Sombrias - Não aguento mais revisar
3/19/20262 min read


Tem uma coisa curiosa em escrever continuação: você volta pra casa, mas a casa já não é exatamente a mesma. Foi assim comigo em As Fronteiras das Terras Sombrias. Revisitar Arrhênia foi um prazer enorme — principalmente poder acompanhar o Leonel de novo —, mas também veio aquela pontinha de frustração por deixar gente querida de fora. Zando, Goldak, Dalila… todos ficaram ali, na beira da página, esperando a vez deles. Eu até tentei enfiar todo mundo na história, expandir o escopo, abrir mais frentes… mas aí o livro já estava caminhando pra um monstro de 800 páginas. Foi doído, mas precisei dividir para conquistar.
Contar a versão do Leonel, fechar esse arco com os carcharodons, dar um respiro antes de coisas maiores. Porque sim, o plano inicial era bem mais ambicioso — envolver invasão às Terras Sombrias, escalar o conflito —, mas isso rapidamente virou uma ideia que cresce mais do que o livro aguenta. E tudo bem. Algumas histórias pedem contenção pra funcionarem melhor.
Agora vem a parte mais difícil: largar o texto. Eu já revisei esse livro tantas vezes que começo a desconfiar de cada vírgula nova que mexo. E mesmo assim, sempre parece que ainda dá pra melhorar mais um pouco. A editora respondeu, está esperando o original, e eu aqui, nesse limbo clássico de quem escreve: entre o “já está bom o suficiente” e o “só mais uma revisãozinha”. Talvez todo livro termine assim mesmo — não quando está perfeito, mas quando a gente finalmente aceita deixá-lo ir.
Em As Fronteiras das Terras Sombrias, a gente acompanha o Leonel já inserido nesse mundo duro de Arrhênia, tentando se provar dentro de um pelotão que é praticamente um depósito de casos problemáticos do exército. O que começa com uma missão aparentemente simples logo escala para algo muito maior, envolvendo ataques misteriosos, criaturas que deveriam estar contidas além das fronteiras e uma cidade que claramente esconde mais do que revela. No meio disso tudo, o livro equilibra ação bruta, momentos de humor ácido — muito por conta do capitão Aguilhão — e uma sensação constante de que tem algo errado por trás dos acordos que mantêm o mundo em pé. É uma história de fronteira mesmo, não só geográfica, mas moral, política e até pessoal, onde cada decisão parece ter um custo maior do que deveria.
E acho que é justamente isso que me faz ter dificuldade de “largar” esse livro. Porque quanto mais eu reviso, mais eu enxergo camadas que poderiam ser ajustadas, aprofundadas ou refinadas. Mas minha ansiedade de ver a história ir para as mãos de outras pessoas me faz querer mandar logo o e-mail.
Vou decidir até o final de semana.