Confissões mal escritas...

4/16/20261 min read

Há em mim um acúmulo silencioso de tensões que não se resolvem. É muita coisa, e tudo parece disputar espaço dentro de um mesmo espírito cansado. Percebo um paradoxo constante entre aquilo que desejo fazer, aquilo que preciso fazer e aquilo pelo qual sou pago para fazer. Raramente esses três vetores se encontram em harmonia. Na maioria das vezes, apenas colidem.

Com o tempo, fui tomado por uma percepção incômoda: sou irrelevante e aquilo que me inquieta não encontra eco nos outros. O que penso, o que sinto, o que tenho a dizer não importa. E, ainda assim, observo que isso não incomoda a maioria das pessoas. Não sei se por falta de consciência ou por uma humildade que me escapa.

A ausência de propósito continua a me assombrar. Carrego a consciência de que meu fim último é amar a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no entanto, mesmo ciente disso, caminho às cegas. Tateio este mundo decadente como quem busca uma pérola perdida na lama.

No trabalho, a sensação é ainda mais áspera. A cada dia, torna-se mais evidente que somos conduzidos por imaturidade travestida de autoridade. Vejo incompetência sendo promovida e vícios sendo aplaudidos.
E, ao pensar assim, sou tomado por um desconforto moral, como se fosse ingrato. O Estado brasileiro me surge, então, como uma grande encenação. Uma estrutura inflada de pseudo-profissionais que se esforçam para sustentar uma aparência de relevância.

Fui levado a abrir mão do que mais importava. Afastei-me do meu filho. Fui privado do diálogo com sua mãe. E tudo aquilo para o qual me preparei parece ter sido arrancado sem aviso.

Ainda assim, reconheço que minha maior falha não está fora, mas dentro. Em vez de me render por completo aos pés da Cruz, hesito. Permaneço suspenso entre o que sei e o que faço. Como disse Santa Teresinha, ajo como uma mariposa que insiste em viver como lagarta.

Nada é importante.