Escrevi um Dark Western Católico (ou quase isso)

3/15/20261 min read

Escrever um conto para a antologia Sangue e Prata, da Medusa Editorial, acabou virando uma pequena travessia pessoal pelo deserto criativo. A ideia inicial era simples: juntar duas coisas que eu gosto muito: o imaginário do western e a espiritualidade católica. A partir daí nasceu a história de uma freira viajando pela fronteira com uma relíquia de São Miguel Arcanjo, escoltada por um pistoleiro de reputação duvidosa. No meio do caminho, um indígena aparece para cobrar crimes do passado, e o que começa como um duelo clássico de faroeste acaba se transformando em algo mais sombrio: possessão, exorcismo e justiça.

O índio (sim gente, eu escrevo “índio”) é uma referência a um antigo personagem meu, o Bradão, um poderoso guerreiro charrua abandonado pela sua tribo. Falarei mais dele no futuro.

Sobre o processo de escrever esse conto, foi cheio de tropeços. Tive que ajustar ritmo, cortar repetições, revisar frases que soavam modernas demais para o cenário e cuidar para que o texto não explicasse demais o sobrenatural. Também precisei equilibrar duas coisas que nem sempre convivem bem: ação de western (duelo, tiros, tensão) com uma dimensão espiritual da minha fé. Um dos maiores desafios foi fazer o momento do exorcismo soar forte sem parecer exagerado ou panfletário, deixando a história falar mais alto do que discurso catequético.

No fim das contas, acho que os melhores acertos vieram justamente desse esforço de equilíbrio. A freira não é apenas espectadora, o pistoleiro não é um vilão, e o indígena acaba carregando um mistério que abre portas para algo maior do que aquele encontro na estrada (eu sei quem ele é, mas o leitor deste conto específico não ficará sabendo).

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós.