Espaçonaves, Palavrões e Um Vizinho Tocando "Os Morenos"

3/14/20262 min read

Estou escrevendo uma space opera para uma revista online.

Escrever um conto parece simples quando a ideia surge na cabeça. No meu caso, comecei com uma cena muito clara, alguns personagens fortes e um cenário que eu achava que já estava resolvido. Só que, quando sentei para revisar de verdade, percebi o quanto o texto ainda precisava de trabalho. Fico puto quando a história desanda. É feito um bolo que ficou tempo demais no forno. Cortei trechos inteiros, reescrevi diálogos, mexi na ordem de algumas cenas e fui ajustando detalhes que eu simplesmente não tinha percebido. Esse processo é meio doloroso, porque detesto cortar conteúdo.
Me sinto fazendo dieta.

Uma coisa que ficou muito evidente para mim durante esse processo foi a importância de montar uma estrutura narrativa clara. No começo eu tinha uma sequência de acontecimentos que funcionava, mas não necessariamente da melhor forma. Quando comecei a pensar no conto em termos de blocos dramáticos — chegada, descoberta, conflito, ruptura e desfecho — muita coisa passou a fazer mais sentido. Mas, no final, tive que mexer nisso também.

Meu vizinho está tocando “Marrom Bombom” no último volume. PQP!

Outra coisa interessante foi lidar com o tom dos personagens. A história tem momentos técnicos, com explicações científicas e linguagem mais dura, mas ao mesmo tempo eu queria que os personagens soassem humanos, com irritação, sarcasmo e alguns palavrões. No começo isso parecia um choque de estilos, mas depois percebi que essa tensão pode ser uma força narrativa.

Esse contraste entre o discurso técnico e a fala mais crua ajuda a dar camadas aos personagens e torna o ambiente mais crível.

Acho que ficou bom, um pouco longo, mas eu gosto de escrever contos longos. Também queria ter dado mais personalidade e tempo de tela para o capitão, mas já deu. O texto está muito grande.

Vou mandar daqui a pouco para uma revista. Não posso dar o título, instruções dos editores... (˘︹˘) Se não for publicado, vou tentar publicar de outra forma, porque é muito grande para as antologias da Medusa Editorial, por exemplo. Tira a calça jeans e bota o fia dental...