Satan Goss nunca esteve tão ocupado!

2 de julho de 2026: o dia em que Roma excomungou os lefebvristas e o Jaspion morreu

7/3/20262 min read

Ontem, 2 de julho de 2026, foi um daqueles dias em que a pessoa abre o noticiário, fecha o noticiário, abre de novo para conferir se não leu errado e depois considera seriamente voltar para a cama. Primeiro, o Vaticano confirmou a excomunhão dos seis bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X envolvidos na consagração de quatro novos bispos sem mandato do Papa Leão XIV, realizada no dia anterior, em Écône. A Santa Sé declarou formalmente o cisma, encerrando (ou explodindo) décadas de uma relação que já era mais tóxica que grupo de família discutindo política. Horas depois, veio a notícia da morte de Hikaru Kurosaki, aos 64 anos: o Fantástico Jaspion, meu super-herói favorito quando eu era criança.

Sinceramente, que dia merda!

Sobre a FSSPX, não consigo defender o indefensável. Leão XIV fez um apelo explícito para que as consagrações não acontecessem, e eles foram lá e fizeram assim mesmo. A Fraternidade alega estado de necessidade, ausência de intenção cismática e interpretação estrita das penas canônicas; em resumo, sustenta que agiu para preservar a Tradição e não para fundar outra Igreja. Para mim, são argumentos fracos. Se o papa diz “não consagrem bispos sem minha autorização” e você responde “entendido, Santidade” enquanto já está passando o óleo do crisma no sujeito, fica difícil vender a tese de plena comunhão.

E, no entanto, sobra em mim um incômodo. Não com a decisão — que considero acertadíssima —, mas com a sensação de seletividade. Porque a máquina romana demonstra uma eficiência admirável para esmagar o tradicionalista radical que desafia frontalmente a autoridade papal, enquanto parece sofrer de misteriosa lentidão quando sacerdotes e bispos do outro extremo transformam a liturgia e a doutrina em laboratório particular. Na Alemanha, há bênçãos organizadas de uniões homossexuais e extramatrimoniais em formatos que o próprio Vaticano considerou incompatíveis com suas orientações, além de propostas de pregação leiga na Missa e outras experiências que tensionam abertamente a disciplina universal da Igreja. No Brasil, na América Latina e na Europa, também não faltam celebrações em que o altar vira palco, o padre quer se passar por animador de auditório.

Fico com a impressão de que certos tipos de rebeldia recebem martelo e outros, uma interminável reunião de comissão. "Aos amigos tudo, aos inimigos, a lei", diz o imaginário popula. A FSSPX cavou a própria cova canônica com entusiasmo e transmissão ao vivo; mas seria reconfortante ver o mesmo zelo aplicado a todos os que tratam a Igreja como propriedade particular, seja pela direita, seja pela esquerda.

“A paz na Terra e em todos os planetas é como um sonho que não pode acabar.”